Janela de negociações do mercado estrangeiro muda a cara da Série A
Pouco importa se o melhor jogador do seu time irá morar em uma casa com vista para o Mediterrâneo ou se treinará no CT de um clube cujo nome não tem vogais. Fato é que, hoje, basta uma conta bancária polpuda, de preferência em euros, para levar um talento do futebol brasileiro.
Aberta até 31 de agosto, a janela de transferências internacionais mudará a cara do Brasileirão e testará o limite da criatividade dos dirigentes. Até este domingo, já fizeram as malas pelo menos 14 jogadores com presença no grupo principal dos 20 times da Série A — entram aí estrelas como Fernandão, promessas como Henrique, do Palmeiras, e gente já em declínio, como Christian, ex-Portuguesa.
Presidente do Atlético-PR, Mário Celso Petraglia concorda: a oferta de valores, especialmente nos contratos, beira o absurdo para nossos padrões. Pretendido pelo Grêmio, Souza deixou o São Paulo em janeiro para ganhar cerca de 80 mil euros (em torno de R$ 200 mil) no PSG, da França.
Guiñazu, do Inter, balançou com os US$ 3 milhões (R$ 4,8 milhões) oferecidos pelo Al-Jazira, time de Abel Braga nos Emirados Árabes.
Roger "se desculpou" pelo caminhão de dinheiro que o levou para o Catar. E o zagueiro Miranda irritou os dirigentes do São Paulo na sexta-feira ao admitir possível ida para Itália, Alemanha ou Espanha.
A situação é regra e expõe uma dura realidade, a de que a balança pende sempre para o lado de quem sai. Fora casos excepcionais, quem volta ao país o faz porque não se adaptou, caiu em desgraça no Exterior ou experimenta os últimos momentos da carreira.
06/07/2008 |